Dr. Juarez Callegaro

Medicina e Psiquiatria Ortossistêmica

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NUTROLOGIA CEREBRAL EVOLUTIVA E CONFLITOS DE INTERESSES E PESQUISA CLÍNICA.
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O que é preciso para interpretar corretamente os resultados de uma pesquisa científica? Sugiro aqui, a título de exemplo, a aplicação do enfoque sistêmico na nutrologia cerebral evolutiva para extrair implicações práticas no curto e no longo prazo. Vamos analisar a pesquisa publicada na revista Nutrition Bulletin por Leigh Gibson, que avalia quanto o açúcar ingerido no café da manhã influi no cérebro. Neste estudo de Gibson, um grupo consumia no café da manhã alimentos com alto índice glicêmico (o índice glicêmico mede quão rápido o alimento ingerido libera o açúcar contido nele. Quanto mais rápido o açúcar sobe, maior o índice glicêmico). Um segundo grupo ingeria alimentos com baixo índice glicêmico e um terceiro grupo nada comia no café da manhã.

Nos testes de atenção, utilizando-se o reconhecimento de cores e de palavras, os que estavam em jejum se saíram melhor, em segundo lugar, os que ingeriram alimentos de baixo índice glicêmico e, em terceiro lugar, o que ingeriram alimentos de alto índice glicêmico.

Nos testes de palavras que deveriam ser memorizadas, quem melhor as lembrava eram os que ingeriram alimentos de baixo índice glicêmico e os que obtiveram pior resultado foram os que se encontravam em jejum. Gibson descobriu que 25 gramas de glicose é a dose ótima, mais que isso pode ser prejudicial, principalmente se estivermos ansiosos pela manhã. No jejum, o estômago libera grelina, tornando-nos atentos.

O aumento de açúcar no sangue é absorvido pelas “babás” dos neurônios, os astrócitos que armazenam o açúcar extra e o fornecem quando os neurônios dele precisam. Se o estoque esgotou o neurônios do cérebro utilizam o sistema Hipotálamo-Pituitária-Adrenal que, ao liberar adrenalina e corticoide, retira as reservas do fígado e músculos e, além disso, estimula a gliconeogênese, geração de glicose, queimando aminoácidos. A explicação ficaria aqui, no artigo de Gibson. No enfoque sistêmico aplicado à nutrologia cerebral evolutiva, o jejum produz serotonina-NCAM-NGF, que melhora a área polimodal da recepção, o sistema colinérgico e noradrenérgico do lobo frontal, o que tornava o homem primitivo mais sensível ao contexto da caça, onde o reconhecimento de cores e sons (palavras, ainda que rudimentares) do grupo de caça foram cruciais. No enfoque sistêmico, além do eixo H.P.A, a implicação do jejum repetido em ciclos horários, como os circadianos e sazonais eventuais da dieta paleolítica (uma combinação de dieta de frutos do mar com a dieta “arco-íris” de vegetais e legumes, verduras e frutas, além de água com lítio orgânico e sem fluo, cloro e alumínio e outros metais tóxicos), as reservas nutricionais de minerais, vitaminas, aminoácidos e alimentos ricos em fibras permitiam um jejum que estimulasse a produção de serotonina – NCAM e NgCAM-NGF (fator de crescimento neural), antioxidantes primários e a síntese da noradrenalina no lobo frontal, aguçando a atenção e a associação em série, essenciais para o planejamento da caça.

O eixo H.P.A também pode ser estimulado pelo excesso de glicose repetido, no estilo atual, pelo alto índice glicêmico a aumentar a perda de minerais pela urina, tais como zinco, cromo, manganês, cálcio e magnésio. O resultado da falta de zinco, cromo é a dificuldade de produzir a síntese de bombas de injeção de glicose do sangue para o líquido do cérebro (liquor) e deste paras os neurônios e glia (GLUT1 e 3) respectivamente.

Além disso, a dificuldade da síntese  de serotonina, dopamina e receptores D2 de dopamina causam prejuízo à inteligência e ao humor. A falta de glicose no neurônios (neuroglicopenia), conforme locus minor resistentiae, lugar de menor resistência ao déficit ATP e excesso de radicais livres resultantes, costuma gerear um círculo vicioso de inflamação que desregula o sistema F.H.A (Fronto-Hipocampal-Amigdalino), que desregula o H.P.A que, por sua vez, desregula o sistema de absorção de minerais, gerando uma cascata de má absorção de nutrientes que afetarão a mitocôndria onde haverá deficiência de A.T.P e excesso de radicais livres, fechando o circulo vicioso FHA-HPA-MAB-MIT.

O estresse oxidativo cerebral patológico (SOXCP) vai bloquear a inteligência emocional, o quociente-emocional (BQE), gerar depressão, ansiedade, agressividade, auto-estima oscilante, pânico e obsessão (DAPO) e, no longo prazo gerar distúrbios de personalidade, dependência química e social e violência, sendo que nove zona cerebrais podem estar envolvidas na degeneração moral. No meu livro “Mente Criativa, A Aventura do Cérebro Bem Nutrido” (Ed. Vozes), descrevo o circulo vicioso acima e denomino “efeito Borboleta Cinza”, incluindo a hipótese de que as doenças mentais que triplicaram em todos os continentes nos últimos 20 anos (incluindo o autismo, que aumentou cerca de 17 vezes, a depressão, Alzheimer e o Parkinson) estaria sendo causadas não só pela poluição, mas pelo déficit de nutrientes, por exemplo, o café da manhã com alto índice glicêmico e outros erros alimentares.

A pesquisa prioritária das causas do sofrimento humano e da degeneração moral, bem como do seu oposto, ou seja, das causas da felicidade e das causas biológicas, da criatividade e da moralidade, encontram enorme obstáculos desde 1980, quando as Universidades fizeram parcerias com empresas com o apoio de legislação governamental que reservou o direito de patentes das descobertas somente às empresas e nada deixando às instituições universitárias. As associações médicas e revistas cientificas, adicionalmente, tem que lidar com o conflito de interesses em pesquisa clinica, isto é, entre a saúde e o lucro deste esquema. Sheldom Krinski, entrevistado no programa Milênio de 13/10/07, no canal Global News, confirma as denuncias feitas por Márcia Angell no livro “A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos” (Ed. Record, 2007), bem como Mathias Rath no site http://www.dr-rath-foudation.org/. Ver por igual o segundo volume dos Cadernos de Bioética do Cremesp que fiscaliza os conflitos de interesses em pesquisa clinica, lançados no 7º Congresso de Bioética.



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Dr. Juarez Callegaro
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